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Caminhos levaram-me a teu rosto.
São dias, horas e minutos que sonho
pensando em teus lábios.
Descubro-me percorrendo teu peito,
caindo a mão a procura de tua coxa,
de tuas nádegas, de teu sexo.
Passo os momentos longe de ti,
a deliciar-me em sonhos eróticos
e quando perto de mim, tua presença,
excita-me de vontades contidas por correntes
dos quais a vergonha e o medo são dono.
Quanto tempo poderei aguentar?
Quantos momentos mais haverá que
sufocar-se num quarto solitário,
a implorar pelo divino poder de esquecer.
Preciso afogar-me num mar de angústia por amar
alguém do qual minha boca nunca poderá tocar.
Dor profunda e penetrante que faz solicitar,
por momentos, a morte e o banimento do seio desta terra.
Por quê?
Poderei algum dia compreender o que levará um ser a amar
e sofrer por esse amor?
Oh, pobre homem que foge de uma felicidade tão próxima
da degradação a qual está condenado.
Viverei, oh infeliz como um fantasma a vagar por caminhos
onde o amor estará sempre frente de meus olhos,
e tão distante de minhas mãos e lábios.

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