Medo de Escuridão ( Poemas e Poesias )

MEDO DE ESCURIDÃO
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Sob o paço gigantesco de uma atra noite,
Sibilam, amiúde, felinas e medonhas criaturas.
Ponho-me de vereda aturdido pelo açoite
Que me extrai a lucidez, pois sou porto de loucuras.
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Matem-me na porta, renitentes, os malvados.
Furtam-me as telhas _meu Deus, já vão entrar!
Outros, na vidraça, me observam, mas calados:
Esperam que me renda para a festa começar.
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Olho á direita a vem-me o desespero.
Penetram, já, o casebre; desfilam pelos cantos.
Murmuram, pois meu fim; enfim, me atiro aos prantos.
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E eis que de repente, na demora do massacre,
Vem-me a socorrer a flecha ardente do raiar,
Afastando-os de mim; mas bem sei, tão logo irão voltar...

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